Melhoria Flexível nos Processos de Pintura

O que realmente importa quando necessitamos melhorar qualquer processo dentro de uma empresa? Será que não burocratizamos demasiadamente nossa operação criando controles em excesso? O quanto deste processo de avaliação/melhoria e sua importância para o resultado de negócio é realmente compreendido pelas pessoas da operação?


Para empresas bem estruturadas, organizadas e com políticas e processos de qualidade bem definidos, pode parecer ilógico as perguntas iniciais, mas para empresas que iniciaram suas atividades há pouco tempo e ainda não possuem histórico de problemas, a falta de acompanhamento de processos, pode colocar em “cheque” o próprio negócio desde o seu início.


Bens e serviços de qualidade superior geram resultados financeiros sustentáveis,

pois serem superiores aos dos concorrentes os torna vendáveis. Bens e serviços

que são vendáveis por causa da qualidade impulsionam continuamente as receitas e

mantêm os custos mais baixos, levando a uma maior lucratividade. A busca pela

qualidade superior transforma a empresa e cria uma cultura favorável de qualidade.

(JURAN, 2015, capítulo 1)


Por onde começar?

Primeiramente, deve-se ter em foco que a melhoria de processo necessita reduzir perdas e custos para aumentar a lucratividade, que é um dos pilares do negócio economicamente viável.


Mantenha a simplicidade do controle de maneira a torná-lo menos complicado para todos os envolvidos na operação, na coleta de dados e no controle.



Envolva as pessoas da operação em todo o processo de controle para que saibam o quanto as ações (ou falta delas) afetam os processos e quanto isto é impactante no resultado do negócio e viabilidade de sua continuidade.

Então como reduzir e controlar os problemas da operação sem burocratizar em demasia?


Todo processo sem controle possui inicialmente desvios elevados e, com a implementação de acompanhamento e ações corretivas, passa a ter redução dos desvios tendendo a uma estabilidade.

Comece, então, pelos três resultados ou processos que mais prejudicam ou trazem problemas para a operação ou qualidade final do produto ou serviço. Comece a medir os processos de forma simples, definindo parâmetros e tolerâncias não muito agressivas. Imagine que estes parâmetros deverão ser estreitados até que cheguem a uma condição razoável em poucos meses, digamos, de três a seis meses. Após este período, estes três fatores devem estar estabilizados e mostrar uma tendência dos processos com poucos desvios. 


Na fase inicial, outros problemas - aqui chamados de secundários - podem ter sido notados para também serem controlados, mas naquela fase eram pouco significativos para se preocupar, porém agora requerem a devida atenção. Nesta fase é a hora de reduzir a atenção aos processos iniciais (sem os negligenciar), e colocar em evidência os processos secundários que demandem o maior esforço para acertar os desvios destes processos. Os primeiros fatores passam a ser meramente acompanhados sem exigir grande concentração de esforços, caso estejam estabilizados.


A qualidade de produtos, serviços e processos nos dias atuais deixou de ser um

diferencial competitivo e transformou-se num critério qualificador, passando a ser

uma ferramenta importante e praticamente obrigatória à sobrevivência organizacional,

a qual as empresas necessariamente têm de desenvolver para manterem-se perenes.

(OLIVEIRA, 2014, p. 1)]


Definindo os problemas para encontrar a solução


Podemos tomar como exemplo o processo de preparação de superfície, que se baseia na pintura a pó. Dentre os processos principais estão o engancheiramento de peças, o pré-tratamento de superfície, a secagem das peças, deposição de tinta a pó, polimerização das tintas e a retirada e embalagem das peças. Em todos estes processos principais existem subprocessos com um ou mais sub-níveis que não foram mencionados devido as suas relevâncias no momento.

Pré-tratamento de superfície por spray

Case de um cliente Deltec com mal aproveitamento de gancheiras.

Case do mesmo cliente da foto ao lado após melhoria.

Podemos considerar como os principais problemas, ou problemas iniciais, a camada de tinta, o aproveitamento das gancheiras e a resistência a corrosão, que inicialmente seriam os problemas que mais causam perdas no processo. Em segundo plano, apesar de menor representatividade das perdas, poderíamos considerar defeitos de pintura e processo de repintura, marcas das gancheiras (pequenos defeitos) e arraste de produtos químicos no pré-tratamento. 


Com os problemas iniciais deveremos definir o nível de perdas aceitável para os três primeiros meses (por exemplo, até 5%) e para os próximos três meses (por exemplo, até 3%). Com o histórico dos seis meses iniciais define-se os parâmetros para os próximos seis meses (por exemplo, 1%).   


Após os seis meses iniciais, passamos a controlar os processos dos problemas secundários aplicando o mesmo método dos problemas principais.


Ao se imaginar um processo qualquer, é fundamental definir inicialmente a característica da

qualidade (variável) a ser analisada, a qual geralmente está sujeita a variações aleatórias

(ou estocásticas). Se o processo for planejado e implementado cuidadosamente, essas variações

serão certamente pequenas e não poderão ser atribuídas a fatores isolados (ou controlados).

[...] os gráficos de controle são construídos com o objetivo de monitorar continuamente se

determinado processo está ou não sob controle estatístico.

(Ramos, Edson Marcos Leal Soares, 2013, p.44).


No decorrer do tempo, processos podem ser retirados do controle e novos podem ser incluídos, dependendo da sua interferência nos problemas do negócio, tornando assim o controle de processos mais flexível e ágil e vindo de encontro com a necessidade de atender a dinâmica do mercado e dos processos que podem variar rapidamente, principalmente para os pequenos negócios.


É fato que o custo do processo e suas ineficiências são muito mais representativas do que o investimento no equipamento necessário; cada processo na preparação de superfície representa um custo elevado, caso não se tenha controle sobre o mesmo, e pode representar aumento de três dígitos no que tange ao custo da pintura.


Vale lembrar a máxima: “O equipamento é comprado somente uma vez, o custo do processo é todos os dias”.


Fica a dica: Olho no custo do processo!

Queremos ouvir você!

Gostaria de falar sobre seus processos de pintura?